Quando chega o momento de encerrar uma parceria empresarial, saber como fazer o cálculo para desfazer sociedade é fundamental para garantir que a divisão de bens, lucros, dívidas e obrigações seja feita de forma justa, legal e sem gerar prejuízos para nenhuma das partes.
Encerrar uma sociedade não precisa ser sinônimo de dores de cabeça. Com informações claras, planejamento e cálculos bem executados, esse processo pode ser realizado de maneira tranquila, profissional e alinhada às exigências legais e financeiras.
O que é o cálculo para desfazer sociedade?
O cálculo para desfazer sociedade é o processo de apurar quanto cada sócio tem direito a receber ou a pagar no momento da dissolução da empresa, levando em consideração:
- Capital social investido;
- Participação societária de cada sócio;
- Bens, ativos e patrimônio da empresa;
- Dívidas e obrigações financeiras;
- Lucros acumulados ou prejuízos;
- Eventuais indenizações, cláusulas contratuais ou penalidades.
Além disso, esse cálculo também deve considerar os impostos incidentes sobre a saída de um sócio, além de possíveis impactos no fluxo de caixa da empresa e na continuidade do negócio, caso a sociedade não seja encerrada totalmente, mas apenas parcialmente.
Quando é necessário fazer esse cálculo?
- Saída voluntária de um dos sócios;
- Dissolução total da sociedade (encerramento da empresa);
- Falecimento de um dos sócios (com repasse aos herdeiros);
- Rompimento do contrato societário por decisão judicial ou acordo extrajudicial;
- Exclusão de sócio por descumprimento de cláusulas contratuais ou má gestão.
Etapas do cálculo para desfazer sociedade
1. Avaliação do capital social
- Verificar o valor total do capital social registrado no contrato social;
- Conferir o percentual de participação de cada sócio;
- Esse valor é a base inicial, mas não é o único parâmetro do cálculo, pois o patrimônio da empresa pode ter se valorizado ou depreciado desde sua abertura.
2. Levantamento dos ativos
- Bens móveis: como máquinas, equipamentos, veículos e mobiliários;
- Bens imóveis: salas comerciais, terrenos, galpões, escritórios próprios;
- Estoques: mercadorias, produtos acabados e matérias-primas;
- Contas a receber: valores pendentes de clientes e contratos ativos;
- Investimentos: aplicações financeiras, participação em outras empresas, fundos, etc.;
- Propriedade intelectual: marcas, patentes, direitos autorais e licenças, quando aplicável.
3. Levantamento dos passivos (dívidas e obrigações)
- Empréstimos bancários, financiamentos e contratos de leasing;
- Débitos com fornecedores;
- Encargos fiscais (impostos em aberto, parcelamentos fiscais);
- Encargos trabalhistas, férias, 13º, verbas rescisórias e passivos trabalhistas;
- Processos judiciais, indenizações e contingências futuras.
4. Avaliação do patrimônio líquido
O patrimônio líquido é calculado da seguinte forma:
Patrimônio líquido = Ativos totais – Passivos totais
Este valor representa o quanto a empresa realmente possui de saldo após descontar todas as dívidas e obrigações. É sobre ele que se faz a divisão proporcional entre os sócios.
5. Cálculo proporcional entre os sócios
A divisão deve seguir o percentual de participação societária definido no contrato social. Se houver cláusulas específicas para casos de dissolução, estas prevalecem.
- Exemplo prático: Se o patrimônio líquido é de R$ 800.000,00 e o sócio A possui 60% e o sócio B possui 40%, então:
- Sócio A tem direito a R$ 480.000,00;
- Sócio B tem direito a R$ 320.000,00.
6. Ajustes específicos e detalhes importantes
- Lucros acumulados: valores que ainda não foram distribuídos devem ser incluídos na divisão;
- Prejuízos acumulados: também precisam ser rateados, impactando o valor final;
- Correção monetária: atualizar os valores de ativos, passivos e investimentos conforme índices econômicos;
- Cláusulas de saída: se houver multas, penalidades, indenizações ou bônus por retirada antecipada, devem ser consideradas;
- Avaliação de mercado: especialmente para ativos que sofreram valorização ou depreciação significativa.
Documentos necessários para o cálculo
- Contrato social e suas alterações;
- Demonstrações contábeis atualizadas (DRE, balanço patrimonial);
- Relatórios de ativos e passivos;
- Documentação de bens (escrituras, notas fiscais, contratos);
- Relatórios fiscais e trabalhistas;
- Registro de propriedade intelectual, se aplicável.
Quem realiza o cálculo para desfazer sociedade?
- Contadores especializados: responsáveis pela avaliação patrimonial e financeira;
- Consultores empresariais: auxiliam em avaliações de mercado e de ativos intangíveis;
- Advogados societários: fundamentais em casos de litígio, discussão de cláusulas ou dissoluções judiciais;
- Peritos e avaliadores: em casos que exigem laudos técnicos, especialmente para imóveis, maquinários e marcas.
Como fazer a divisão correta dos bens e dívidas
- Ativos: podem ser convertidos em dinheiro (venda dos bens) ou divididos fisicamente entre os sócios, desde que haja concordância;
- Dívidas: geralmente são rateadas proporcionalmente à participação societária, salvo cláusula contratual diferente ou acordo específico;
- Bens indivisíveis: como imóveis ou máquinas específicas, podem ser leiloados, vendidos a terceiros ou adquiridos por um dos sócios mediante compensação financeira aos demais.
Aspectos tributários na dissolução da sociedade
- É necessário avaliar a incidência de impostos sobre ganho de capital na venda de ativos;
- Alterações contratuais e encerramento de CNPJ envolvem comunicação à Receita Federal, Junta Comercial e Prefeitura;
- Eventuais distribuições de lucros, indenizações ou compensações podem gerar obrigação de recolher impostos específicos.
Erros comuns no cálculo para desfazer sociedade (e como evitar)
- Subestimar ou superestimar ativos: contratar peritos garante avaliações precisas;
- Esquecer dívidas futuras ou contingências: como processos judiciais ainda em andamento;
- Não observar cláusulas contratuais: isso gera litígios e desgastes entre os sócios;
- Fazer acordos verbais sem formalização: sempre registre tudo documentalmente;
- Ignorar obrigações fiscais na dissolução: isso pode gerar multas e penalidades futuras.
Quanto custa fazer o cálculo para desfazer sociedade?
- Honorários contábeis: a partir de R$ 1.500,00 até mais de R$ 15.000,00, dependendo da complexidade;
- Laudos de avaliação: entre R$ 800,00 e R$ 5.000,00 por bem ou conjunto de bens;
- Honorários advocatícios: de R$ 3.000,00 até R$ 30.000,00, ou percentual sobre o valor envolvido;
- Custos com registros, cartórios e juntas comerciais: podem variar de R$ 500,00 até R$ 3.000,00.
Cálculo para desfazer sociedade: transforme este processo em uma oportunidade
Realizar o cálculo para desfazer sociedade de forma correta é essencial não apenas para evitar dores de cabeça, mas também para preservar o patrimônio, as relações comerciais e a imagem profissional de todos os envolvidos.
Com apoio de contadores, advogados e consultores, a dissolução de sociedade deixa de ser um problema e se transforma em uma etapa de reorganização financeira, planejamento e até de novas oportunidades de negócios.
Planeje, documente tudo, conte com profissionais qualificados e transforme essa fase em uma saída justa, estratégica e financeiramente segura para todas as partes envolvidas.











